Pular para o conteúdo principal

Não, a classe média não vai querer pagar a crise

Portugal, Helena G.
para Jornal de Negócios


 

O caso da Lusoponte e o ataque do presidente da EDP a mudanças na remuneração excessiva do sector eléctrico são sinais terríveis sobre o nosso futuro. O Governo começa a estar armadilhado e a mostrar que a factura das mudanças vai cair apenas nos bolsos da classe média e dos que não têm poder. A instabilidade social é a próxima ameaça. Porque a esperança se esgota como a paciência. O Governo decidiu desautorizar a Estradas de Portugal e permitir que a Lusoponte recebesse as receitas das portagens em Agosto e a compensação por até ao ano passado não se terem cobrado portagens nesse mês na ponte 25 de Abril. Argumento? "(...) poderia configurar uma violação do exclusivo da Concessão Lusoponte", lê-se no argumentário que mereceu o despacho favorável do secretário de Estado das Obras Públicas. Resultado: a Lusoponte recebe as portagens e a compensação por anteriormente não existirem portagens.

A questão central não é se o primeiro- -ministro sabia ou não sabia o que se passava no debate parlamentar de quarta-feira passada, porque mentir, convenhamos, não seria minimamente inteligente. O ponto fundamental é o primeiro-ministro não se declarar posteriormente contra a decisão de pagar duas vezes a mesma coisa à Lusoponte. E, mais grave ainda, é o vice-presidente da bancada do PSD, Luís Menezes, acusar a Estradas de Portugal de ser um "braço armado" do anterior Governo.

Será possível que não se perceba o terrível sinal que este caso dá sobre o que vão ser as renegociações dos contratos de parcerias público-privadas (PPP)? Sem a eliminação das rendibilidades excessivas que os contratos garantem a algumas concessões rodoviárias, os contribuintes portugueses vão continuar a ver parte dos seus impostos a entrarem nos bolsos de empresas que conseguiram contratos milionários com o Estado.

Ao lado das PPP temos o sector da electricidade.

Uma das bandeiras do PSD em campanha eleitoral, como nos primeiros tempos do Governo, foi a defesa da verdade, entendida como total transparência. Pois é isso que se começa a ver cada vez menos.

Os estudos realizados, a pedido da troika, para estimar as rendas excessivas no sector eléctrico deviam estar publicados nos sites do Governo. A bem da transparência e de uma informação que exponha quem está a ganhar quanto e como. Se o tivesse feito, não teria ontem ouvido o presidente da EDP a dizer que não há rendas excessivas. E que é preciso somar uma margem aos valores que foram estimados pela associação ligada à Universidade de Cambridge como sendo a remuneração adequada para os Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC). As rendas que estão em causa são tais que levaram um economista como António Mexia a dizer o que sabe que não corresponde à realidade, pondo em causa a sua própria imagem como técnico. Aquilo a que se chama custo médio ponderado do capital (WACC) é calculado já com essa margem de risco que António Mexia reivindica.

O Governo deixou-se armadilhar. Se reduzir as margens excessivas da EDP, corre o risco de perder o dinheiro dos novos accionistas chineses e ameaça as próximas privatizações. Se alterar os contratos das concessões, corre o risco de arrastar para a falência grupos que já estão muito fragilizados. A escolha parece, lamentavelmente, determinada. Tudo ficará na mesma na electricidade e nas PPP. Pagaremos uma factura bastante elevada em impostos, em baixo crescimento económico e, no cenário de terror, em instabilidade social. Esperemos que o Governo nos surpreenda e que todos estes sinais estejam errados.

Postagens mais visitadas deste blog

Samsung Prepara Galaxy S 2 Branco?

  Numa altura em que os EUA desesperam para pôr as mãos em cima do Galaxy S 2 da Samsung - sim, o S2 que tanto sucesso tem tido em todos os mercados por onde passa  nem sequer lá chegou ainda (é para nos compensar por todos os equipamentos que por lá são lançados em estreia, deixando-nos para o fim da tableta) - surgem indicações que poderá estar prestes a surgir uma versão em branco . Versão que supostamente estará à venda a partir do dia 15 de Agosto no Reino Unido. A ser verdade, certamente será mais uma oportunidade para a Samsung apontar o dedo à Apple e mostrar-lhes que não demorou quase um ano para trazer para o mercado um iPhone 4 branco que tinha sido apresentado logo de início.   Direto de: Aberto até de Madrugada

Após fraude, UFU divulga novas datas do vestibular

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) confirmou nesta terça-feira (26), durante coletiva de imprensa, as datas para realização das novas provas do processo seletivo do segundo semestre (2012-2). A primeira fase ocorrerá nos dias 04 e 05 de agosto, com início previsto para as 13h30 e término às 17h30, nas cidades de Goiânia (GO), Ituiutaba (MG), Monte Carmelo (MG), Patos de Minas (MG), Ribeirão Preto (SP) e Uberlândia (MG). A segunda etapa será nos dias 18 e 19 de agosto, nos campi da Universidade Federal de Uberlândia nas cidades de Ituiutaba (MG), Monte Carmelo (MG), Patos de Minas (MG) e Uberlândia (MG), com início previsto para as 13h30 e término às 18h30. A data foi anunciada pelo reitor Alfredo Júlio Fernandes Neto e pelo procurador geral da Instituição, José Humberto Nozella. “Ao aluno, será necessário apenas reconfirmar o local da prova. Pode ser que haja pequenas modificações, como trocas de salas”, disse o pró-reitor de Graduação da UFU, Waldenor Barros Moraes. Segundo el...