O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior anunciaram nesta quarta-feira (9) corte de R$ 50 bilhões nas despesas previstas no Orçamento Geral da União de 2011. Os ministros garantiram, no entanto, que o governo da presidenta Dilma Rousseff vai manter todos os investimentos dos programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa FamÃlia e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
De acordo com Mantega, o corte não afeta os R$ 170,8 bilhões aprovados para investimentos, dos quais R$ 40,15 bilhões são do PAC. Os recursos para o programa podem, ainda, ser acrescidos de R$ 3,35 bilhões por emendas adicionais, conforme acordo com os parlamentares. Miriam Belchior ressaltou que, como “todos os investimentos e programas sociais serão mantidosâ€, o governo espera alcançar crescimento de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.
Com a manutenção dos programas sociais, a decisão de reduzir o Orçamento para 2011 não terá impactos negativos imediatos no bolso do cidadão. A ideia do governo é otimizar recursos e, como já afirmou a ministra Miriam Belchior, fazer mais com menos. Além disso, o corte deste ano reduz as expectativas do mercado com relação a aumentos na taxa básica de juros (Selic), uma vez que ajuda a conter a inflação, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O Orçamento 2011, aprovado pelo Congresso Nacional no final do ano passado, previa R$ 2,073 trilhões para este ano. Com o corte, o valor cai para R$ 2,023 trilhões.
Segundo Miriam, estão suspensas todas as nomeações para o serviço público federal de aprovados em concurso. Belchior informou ainda que o governo não deve permitir novos concursos públicos este ano. “Serão analisados caso a caso. Novas contratações serão olhadas com lupaâ€, disse. O mesmo critério vale para proibição de novos concursos. “Se não vou nomear quem já está aprovado, não vai haver concursos novosâ€, emendou a ministra.
Mantega: "Estamos revertendo os estÃmulos dados à economia"
Para o ministro da Fazenda, a fase de estÃmulos do governo à economia por causa da crise financeira de 2009 já passou. "A programação orçamentária de 2011 está passando por uma consolidação fiscal, que se deve ao fato de que o governo está revertendo todos os estÃmulos para a economia entre 2009 e 2010, por conta da crise financeira internacional. Hoje, estamos com a economia crescendo, com demanda forte. Já estamos retirando esses incentivosâ€.
A maior parte dos cortes será feita no custeio da máquina pública. A ideia é aumentar a eficiência do gasto. “Significa com menos recursos realizar as mesmas ou mais atividadesâ€.
Diferentemente dos anos anteriores, o dinheiro não foi bloqueado e sim, retirado de forma definitiva do Orçamento. “Essa redução de gastos tende a ser definitiva. A nossa intenção é manter esse patamar até o fim do ano, mas nada impede que haja alguma mudança excepcional nesse quadro. Não há ideia de modificar esse número de R$ 50 bilhões. Mas temos que ter uma margem, porque há coisas que não podemos preverâ€, disse.
Segundo Mantega, “todos os ministérios foram atingidos por essa redução de gastos. Haverá esforço, até sacrifÃcio, dos ministérios para se adequarem aos recursos destinados. A própria escassez de recursos para os ministérios vai obrigá-los a fazer issoâ€.
De acordo com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, o decreto com a nova distribuição dos recursos orçamentários será publicado até a semana que vem no Diário Oficial da União.
Fonte:
Agência Brasil