Os números do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert) mostram que, de 2003 a 2013, o crescimento de fraudes virtuais foi de 14.347%. Enquanto em 2003, houve 593 incidências reportadas ao Cert, em 2013, foram 85.675 registros.
Roubo de dados e problemas com entrega de produtos comprados pela internet são as principais ocorrências. O publicitário Thiago de Almeida, de 29 anos, entrou nas estatísticas. Em junho, comprou um iPhone 5C para presentear a mulher, por R$ 999, na loja virtual LuCunha Store, que tem mais de 305 mil seguidores no Instagram. O aparelho não foi entregue ao comprador.
No site ReclameAqui, a reputação da loja era boa até junho. A partir de julho, as reclamações subiram num ritmo intenso, passando de cem para quase 700, apenas nos primeiros 19 dias de setembro. Todas foram feitas pelo mesmo motivo: compras não entregues.
“Na época, fiz pesquisas e não havia reclamações. Duas amigas de amigos receberam os produtos, e celebridades postaram dizendo que compraram na LuCunha. Isso dava credibilidade”, relatou Thiago, que registrou a ocorrência.
Empolgada com vários famosos que postavam em seus perfis no Instagram as compras feitas na loja virtual LuCunha Store, a estudante Júlia Vieira Moreira, de 19 anos, não pensou muito e decidiu comprar um iPhone 4S, por R$ 799,25. Nem o preço baixo — em sites de grandes redes, o mesmo aparelho sai por cerca de mil reais — a fez desconfiar que haveria algo errado. “Muitos famosos fazem propagandas. Então, somos induzidos”, alegou a jovem.
A soma de preço atraente, confiança no desconhecido e falta de informação, porém, resultou em dor de cabeça. O smartphone adquirido em 12 de maio deveria ter sido entregue em 6 de agosto. Mas, até agora, nada. Ao identificar que o problema afetava também outras pessoas, Júlia criou um grupo no Facebook, que já tem mais de 800 participantes.
Em comunicado no Instagram, a LuCunha Store afirmou que as entregas serão feitas: “Todos os nossos clientes receberão uma ligação nossa informando sua data exata de entrega.”
Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, explica que é preciso prestar queixa sobre o golpe: “Pode ser em qualquer delegacia, não precisa ser na especializada. Isso é necessário para que seja investigado o que aconteceu”.
Para tentar minimizar o prejuízo, o jeito é recorrer à Justiça e pedir uma indenização por danos morais e materiais. É fundamental descobrir o responsável pela loja. A partir daí, ajuiza-se uma ação no Juizado Especial Cível, onde é opcional contratar um advogado, se a indenização pedida for de até 20 salários mínimos (R$ 14.480). Se a causa for de 20 até 40 pisos nacionais (até R$ 20.960), é preciso ter um advogado.