Concorrentes do Honda Fit:
Citroën C3 Exclusive: O hatch da marca francesa aposta no visual atraente e no bom acabamento. Seu preço é R$ 64.380.
Fiat Punto: Na versão Blackmotion Dualogic com todos os opcionais, o preço do modelo pode chegar a R$ 71.705
Ford Fiesta Powershift: O modelo aposta na dirigibilidade e é o que mais oferece itens de segurança. Pode custar R$ 60.860.
Desde que foi lançado no Brasil, em 2003, o Honda Fit se destacou pela versatilidade, pelo baixo consumo e pelo estilo moderno que o diferenciava dos monovolumes até então no mercado. E o modelo ainda contava com a confiabilidade da marca japonesa. Na prática, ele foi capaz de agradar não apenas às famílias que necessitavam de amplo espaço interno, mas também ao público jovem.
A segunda geração do Fit, lançada em 2008, teve sua proposta levemente reformulada: ganhou visual mais esportivo e desempenho em detrimento do ótimo consumo de combustível. E agora a questão é: terá a terceira geração do Fit a mesma capacidade de satisfazer as necessidades de públicos com características distintas?
Começamos respondendo essa questão focando no público mais jovem. Neste comparativo, reunimos as versões completas e equipadas com câmbio automático ou robotizado de Citroën C3 1.6 16V Exclusive (R$ 55.490), Fiat Punto 1.8 16V BlackMotion Dualogic (R$ 56.174) e Ford Fiesta 1.6 16V PowerShift (R$ 59.590), três dos hatches mais cobiçados do momento, para avaliar se o Honda Fit manteve a capacidade de conquistar o consumidor mais jovem. Na sequência (na página 80), aproveitamos para comparar a novidade da Honda com os principais monovolumes do mercado e exploramos a sua versatilidade para a utilização famíliar.
Assim como nos hatches, escolhemos todas as versões topo de linha e automáticas dos monovolumes com a versão correspondente do Fit, a EXL (R$ 65.900), usada para os dois testes.
Embora o estilo monovolume normalmente esteja ligado a um veículo sem tanto apelo visual interessante, a Honda trabalhou para modificar essa imagem. Com diversos vincos ressaltados, o desenho do novo Fit é tão ousado que faz a sua segunda geração, elogiada pelo visual equilibrado, parecer envelhecida e desatualizada. O modelo da Honda se destaca em termos de imponência até mesmo quando comparado ao Ford Fiesta, conhecido pelas linhas esportivas.
O Citroën C3 preza pelo estilo elegante e atraente, enquanto o Fiat Punto aposta em pára-choque e saias com referências extraídas das pistas de corrida (como a simulação do extrator de ar na traseira) para conquistar clientes.
Quando a análise parte para a parte interna dos veículos, as características distintas tornam esse comparativo ainda mais interessante. O Citroën C3, por exemplo, se destaca por oferecer um nível de acabamento superior à média de seus concorrentes.
Pelo interior dos hatches
Mas, embora refinado, o aproveitamento de espaço no interior do modelo da marca francesa deixa a desejar. Os porta-objetos nas portas dianteiras são pequenos e difíceis de acessar, e a inclinação do pequeno compartimento no console central faz com que objetos ali acomodados caiam já na primeira aceleração.
Fiat Punto e Ford Fiesta oferecem a melhor ergonomia entre os modelos avaliados, mas o Ford envolve os ocupantes com o painel mais moderno. Os modelos das marcas francesa, italiana e americana, no entanto, deixam a desejar no espaço no banco traseiro, sensivelmente menores que o Honda. O novo Fit, porém, apresentou um detalhe inesperado.
Apesar do espaço exemplar, do acabamento de bom nível, e das inúmeras configurações oferecidas pelos bancos, o interior do Honda tem estilo mais simples e menos envolvente que o da geração anterior. Os comandos do ar-condicionado (digital no modelo anterior e convencional no atual) perderam o alinhamento vertical mais à mão do motorista e agora estão posicionados na tradicional linha horizontal, no meio do console.
O resultado é que, embora tenha recebido sistema de entretenimento com monitor de 5,1” (com câmera de marcha ré que mostra a aproximação dos obstáculos na traseira em três ângulos diferentes) e também tela de cristal líquido no quadro de instrumentos na configuração topo de linha, o interior da novidade não parece mais tão especial quanto o da segunda geração. Mas vale ressaltar que se trata de uma análise subjetiva.
Cada vez mais objetivo e presente entre os consumidores, felizmente, é o assunto segurança. E por ser a novidade deste comparativo, o Fit deveria se apresentar como referência, o que não ocorre completamente. Embora a Honda afirme que utiliza maior quantidade de aço de alta resistência na carroceira do novo Fit e que o monovolume foi desenvolvido para obter nota máxima nos testes de colisão, entre os itens de segurança da versão EXL estão apenas quatro airbags e freios com ABS — o mesmo que Fiat Punto Black Motion e Citroën C3 Exclusive oferecem quando completos com todos os opcionais.
O Ford Fiesta PowerShift, por outro lado, é dotado de 7 airbags, controle de tração e de estabilidade, além dos freios com ABS. Ele merece ser valorizado pela oferta incomum desses itens no mercado brasileiro, especialmente nessa categoria. Mas se ganha em pontos nos quesitos segurança e dirigibilidade, o Ford Fiesta testado não merece apenas elogios.
O modelo avaliado estava com a tampa do porta-malas e do porta luvas desalinhadas, e o interior apresentava uma série de ruídos oriundos das peças de revestimento. Pode se tratar apenas de um problema da unidade avaliada, mas, infelizmente, levanta dúvidas sobre a qualidade de produção do modelo.
Embora conte com câmbio robotizado de dupla embreagem, tipo de caixa conhecida pelas trocas rápidas, o sistema PowerShift da Ford não aparenta ser mais ágil nas mudanças e nas reduções do que um câmbio automático comum. A possibilidade de trocas manuais é sempre bem-vinda para quem aprecia dirigir, mas a solução adotada pela marca (botões na lateral da alavanca do câmbio) está longe de proporcionar o melhor manuseio. Em condução em trechos de serra, por exemplo, o motorista terá de tirar uma das mãos do volante para selecionar a marcha que deseja.
O câmbio, por sinal, é um ponto consideravelmente crítico neste comparativo, uma vez que eles acabam funcionando como um “funil” para o bom rendimento dos motores. Além da já citada caixa da Ford, a do Citroën C3, com apenas 4 marchas, deixa a desejar pela lentidão e pela incapacidade de responder satisfatoriamente em determinadas situações, em que uma ou duas marchas a mais proporcionariam mais agilidade — além de melhor consumo de combustível, um dos seus pontos fracos.
Já a tecnologia Dualogic, da Fiat, de câmbio robotizado com uma embreagem, tem os seus méritos por ofertar ao consumidor a possibilidade de aposentar o pé esquerdo na hora de dirigir por preço mais acessível, mas seu funcionamento é bem menos suave, quando comparado a um automático convencional.
Tanto o Fiat quanto o Citroën oferecem borboletas para trocas de marcha junto ao volante, tornando a condução mais interativa e cômoda. Já o novo câmbio CVT do Fit é eficiente e permite ao carro ter boas acelerações e retomadas. Ele também deve auxiliar no consumo de combustível (não aferido, uma vez que o monovolume foi avaliado apenas na pista de testes), mas, em compensação, essa caixa está longe de oferecer a melhor sensação ao dirigir.
Só que, mesmo sem contar com um câmbio com opção de trocas manuais, no geral, o Fit é um modelo agradável de dirigir, assim como sua geração anterior. O Fiesta, por sua vez, apresenta o conjunto de suspensão e direção com o melhor comportamento dinâmico, sem abrir mão do conforto. Assim, ele consegue ser o veículo mais estável e empolgante de dirigir.
Mais sobre comportamento
O Punto, que já foi a referência em termos de dirigibilidade no segmento, desta vez não mostrou as mesmas qualidades de outrora, talvez em função dos pneus (195/60 R15). O Citroën, por sua vez, não é o carro que convida a acelerar, mas mostrou comportamento adequado e boa estabilidade. Além disso, o modelo de origem francesa apresentou capacidade de frenagem notavelmente superior perante os concorrentes.
Mas se a dirigibilidade e o bom desempenho tendem a ser importantes para o consumidor mais jovem, o peso da lista de equipamentos de série em um veículo que custa acima de R$ 60.000 é ainda mais relevante para o comprador.
Todos os modelos são equipados com ar-condicionado, direção com assistência (elétrica ou hidráulica), trio elétrico, sistema de som com entrada auxiliar e conexão Bluetooth, revestimento de couro, volante multifunção e rodas de liga leve. Mas cada um oferece itens para se diferenciar dos rivais. O C3 se destaca com o para-brisa panorâmico e o navegador, enquanto o Punto é o único modelo a oferecer teto solar.
No fim da avaliação e das contas, o Fiat ocupou a última posição do comparativo. Dono do projeto mais antigo, do câmbio menos confortável e dono da maior desvalorização, ele não foi capaz de acompanhar os concorrentes. Mesmo oferendo benefícios como a ampla lista de opcionais e rede de concessionárias. O C3, por sua vez tem a fórmula mais equilibrada que o rival da marca italiana. A sua desvalorização é a mais baixa do comparativo, o estilo é atual, seu preço completo não é o mais alto e o nível de acabamento agrada — embora seu custo da manutenção seja o mais alto do comparativo.
O Fit mostrou-se a escolha mais lógica deste comparativo. Ele é o carro mais versátil para viagens, oferece um bom desempenho, tem uma lista de itens de série razoável e o seu preço foi pouco alterado em relação à versão anterior. Mas a vitória foi conquistada por uma diferença mínima em relação ao novo Fiesta.
Se fosse mais espaçoso, o Ford poderia ganhar o comparativo com facilidade, visto que é o mais agradável de conduzir, tem baixo consumo de combustível, é bem equipado e tem a maior quantidade de equipamentos de segurança. É uma prova de que o Fit evoluiu, mas não tanto quanto poderia, em especial na questão dos equipamentos de segurança.
Análise técnica:
1º Honda Fit EXL: 183,5 pontos
A primeira colocação conquistada pelo Honda Fit na avaliação técnica revela um projeto maduro e bem resolvido, mas não isento de faltas. Entre os pontos fortes do monovolume estão o bom desempenho oferecido pelo conjunto motor/câmbio CVT, além de amplo espaço e aproveitamento da área interna. Todavia, apesar do visual externo ousado, o Fit aparenta ter ficado ligeiramente mais simples: perdeu os freios a disco na traseira, o ar-condicionado digital no interior, enquanto o próprio design do console está mais convencional — à parte do novo computador de bordo no painel de instrumentos. E, apesar do projeto moderno e do preço basicamente inalterado em relação à versão anterior (duas virtudes que merecem consideração), o Honda só oferece 4 airbags (são 7 no Ford Fiesta PowerShift), e sua lista de itens de série não contempla sensor de chuva e crepuscular ou controle de estabilidade (itens presentes também no mais barato Ford). Na soma de fatores, o modelo da marca japonesa levou a primeira colocação por vantagem mínima: sinal de que tem um conjunto inquestionavelmente equilibrado e moderno, mas que poderia oferecer mais itens ao consumidor.
2º Ford Fiesta PowerShift: 181,5 pontos
Não é necessário trafegar por muitos quilômetros no Ford Fiesta para perceber que ele foi desenvolvido para oferecer prazer ao dirigir. Ele ainda é econômico, muito bem equipado e seguro, características que o colocaram próximo da primeira colocação neste comparativo. Todavia, é notável e mensurável a falta de espaço interno no hatch, fato que diminuiu consideravelmente sua nota. A tampa do porta-malas desalinhada e o acabamento interno ruidoso no veículo avaliado diminuem também a sensação de qualidade do modelo.
3º Citroën C3 Exclusive: 170,0 pontos
Liderando o segundo pelotão do comparativo, o Citroën C3 acaba tendo suas virtudes ofuscadas por falhas pontuais. Se o visual externo, o acabamento interno primoroso e o preço agradam, os ocupantes encontram dificuldades de acomodar pertences pequenos no hatch em função do aproveitamento de espaço deficiente. O câmbio automático de 4 marchas, por sua vez, ofusca o desempenho do motor, eleva o consumo de combustível e apresenta reduções de marcha constantes, que acabam incomodando.
4º Fiat Punto BlackMotion: 167,5 pontos
O Fiat Punto já não consegue esconder o peso da idade de seu projeto, cuja geração ainda é a mesma da lançada em 2007. Embora tenha recebido inúmeras melhorias com o passar dos anos, o hatch médio da Fiat já não acompanha a concorrência. Conta a seu favor a ampla oferta de itens opcionais, boa posição de dirigir e o comportamento agradável da suspensão. O câmbio robotizado, no entanto, exige paciência, o espaço interno no banco traseiro deixa a desejar, e o preço fica demasiadamente elevado quando completo.
Análise de mercado
1º Honda Fit EXL: 58 pontos
O Fiat Punto já não consegue esconder o peso da idade de seu projeto, cuja geração ainda é a mesma da lançada em 2007. Embora tenha recebido inúmeras melhorias com o passar dos anos, o hatch médio da Fiat já não acompanha a concorrência. Conta a seu favor a ampla oferta de itens opcionais, boa posição de dirigir e o comportamento agradável da suspensão. O câmbio robotizado, no entanto, exige paciência, o espaço interno no banco traseiro deixa a desejar, e o preço fica demasiadamente elevado quando completo.
2º Ford Fiesta PowerShift: 56 pontos
O Ford Fiesta PowerShift não tem a mesma versatilidade que o Honda Fit EXL, porém é uma ótima opção para um casal que viaja muito e não planeja filhos a curto prazo — embora ele comporte com relativo conforto até duas crianças. Apesar do espaço interno e porta-malas limitados, o Fiesta tem custo-benefício bom: seguro e IPVA um pouco abaixo da média deste comparativo, baixo consumo de combustível, preço razoável e muitos equipamentos de segurança — característica que não pode ser desconsiderada. É um pacote interessante.
3º Citroën C3 Exclusive: 54 pontos
Totalmente focado no público feminino na sua primeira geração, o Citroën C3 assumiu proposta mais neutra nessa segunda geração — embora o estilo seja um dos seus maiores diferenciais, enquanto algumas questões práticas como espaço e aproveitamento da área interna tenham ficado em segundo plano. Ainda assim, apesar do alto consumo de combustível e custo de revisão, o hatch tem consumidores fiéis: teve 34.932 unidades emplacas em 2012 e 33.369 exemplares vendidos em 2013, segundo a Fenabrave.
4º Fiat Punto BlackMotion: 45,5 pontos
O Punto é o modelo mais antigo desse projeto, embora sua quantidade de opcionais seja de fazer inveja nos concorrentes — um dos pontos fortes da Fiat. E, a cada ano, a marca de origem italiana tras novidades para renovar a imagem do produto, seja uma versão especial, ou com a inclusão de um novo opcional ou item de série. Por isso, suas vendas andam em alta (40.407 unidades vendidas em 2013 e 42.362 exemplares em 2012, segundo a Fenabrave). Todavia, seu preço completo é excessivamente alto.
Veredito:
Analisado pelo ponto de vista técnico e também mercadológico, o Honda Fit se destaca como a melhor escolha para o consumidor. Com pequenas variações no preço em relação à versão 2013, a novidade oferece um incomum “pacote” composto por design arrojado, amplo espaço interno e porta-malas, desempenho satisfatório, boa dirigibilidade e nível de conforto. Na prática, isso significa que o monovolume é versátil o suficiente para atingir público mais jovem, que aprecia a experiência na condução, como também satisfazer famílias que necessitam de espaço.
A vitória do Fit, no entanto, não foi fácil: na sua cola veio o Ford Fiesta, nos quesitos técnicos e também de mercado. No fim das contas, o Ford só não levou o troféu em função do seu espaço interno reduzido e da desvalorização acentuada no primeiro ano. Salvo essas características, o Ford é o melhor de dirigir, tem consumo de combustível comedido (por ter sido testado em pista fechada, o consumo do Fit não pôde ser aferido) e oferece a mais sensores de chuva e crepuscular, controle de tração e estabilidade, além de 7 airbags (são apenas 4 no Honda). São indícios de que, apesar de ter se mostrado a melhor opção neste comparativo, o Honda não evoluiu no mesmo ritmo que seus concorrentes no mercado.