Nunca fui muito de "ir em cantigas" no que diz respeito a promoções ou de negócios que parecem demasiado bons para ser verdade; mas isso não significa que me agrade ver uma empresa ou serviço a recorrer a técnicas que me parecem pouco legítimas para angariar clientes.
Desta vez, o serviço é o SugarSync, um serviço de armazenamento na cloud, ao estilo Dropbox (e Meo Cloud) que começou por oferecer espaço gratuitamente - mas que agora decidiu terminar com os planos gratuitos. Ora... se as novas condições se aplicassem apenas aos novos utilizadores, tudo bem; mas o "problema" é que o SugarSync vai simplesmente migrar todos os utilizadores para contas pagas - coisa que terão que fazer caso pretendam continuar a aceder aos seus conteúdos.
Mesmo com as atenuantes de que estão a fazer este aviso com bastante antecedência e a oferecer um desconto substancial de 75% para a subscrição no primeiro ano, não deixa de ser uma táctica bastante duvidosa, a que em inglês se pode denominar por "bait and switch". Isto é, lançar um serviço com condições irresistíveis - neste caso: espaço gratuito na cloud - e depois dizer que afinal tem que ser pagar. Claro que os utilizadores estão no seu direito de simplesmente deixarem de usar o serviço... mas para quem já tivesse a sua rotina estabelecida em torno deste serviço (e mesmo que até não tivesse grandes problemas em pagar por ele), esta atitude certamente não será encarada com bons olhos. Afinal... depois de um precedente destes o que os impede de no próximo ano acharem que afinal se vão duplicar os preços, ou passar o espaço disponível em cada plano para metade?
Neste caso, o problema acaba por não ser muito grave pois não faltam alternativas a este serviço, e este tipo de chamariz é precisamente o que me leva a não apreciar aquelas promoções que nos dão "espaço extra" por um ou dois anos... mas que caso usemos, eventualmente nos irá obrigar a pagar por isso (quando já nos tivermos esquecido e for mais complicado "deixar de usar"). Mas fica o alerta de que por vezes o que é gratuito pode acabar por não ser tão gratuito como se imagina (especialmente se não estiver bem claro como é que pretendem tornar o negócio rentável - ou sustentável - a médio/longo prazo).
Limitando-se a confirmar o óbvio, a proliferação de múltiplas plataformas de streaming com conteúdos exclusivos tem apenas servido para fomentar o regresso à pirataria. Depois das plataformas de streaming terem ajudado a reduzir a pirataria, assistimos agora a efeito contrário devido ao aparecimento de um número cada vez maior de plataformas, onde cada uma luta por manter o controlo sobre conteúdos exclusivos como forma de se diferenciar das demais. O problema é que, se a maioria das pessoas até estará disposta a pagar por um serviço de streaming (ou até dois ou três), inevitavelmente se chega a um ponto em que se dirá "basta". É precisamente essa a conclusão de um estudo sobre as plataformas de streaming e a pirataria . A grande maioria dos consumidores considera já estar a pagar demasiado pelos serviços de streaming, e mais de metade diz não estar disposto a pagar por qualquer outro serviço adicional. Talvez mais esclarecedor ainda, é que metade dos inquirido...