O recente conflito entre Microsoft e Google relativamente ao YouTube levanta algumas questões interessantes sobre o futuro da web. O Google quer que a Microsoft utilize uma "web app" em HTML5 para o YouTube (mesmo quando eles próprios não o fazem no Android nem no iOS). A Microsoft diz que não é viável neste momento criar a app em HTML5 devido a várias limitações. Mas então... não seria o HTML5 e as webapps o futuro que se espera que venha a uniformizar todas as apps, tornando-as independentes da plataforma em que forem utilizadas? A ideia seria essa... mas a realidade actual é bem diferente, como se pode comprovar ao espreitar um pouco mais atentamente vários serviços do Google.
Quero apenas ressalvar que eu passei pela fase em que muitos dos sites na internet orgulhosamente apresentavam o "made for IE", e que ficavam com aspecto estranho - ou nem sequer funcionado - quando visitados por outros browsers. Só à minha conta seguiram centenas de reclamações para todas as lojas online onde, na altura visitando-as com o Firefox, nem sequer conseguia concluir uma compra a não ser que utilizasse o IE (e mandava o email informando-os que por muito que gostasse de lhes comprar os seus produtos, não o conseguia fazer pois não funcionavam no meu browser).
Portanto, de certa forma poderão argumentar que agora se trata de repor a justiça, com o Internet Explorer a ser agora o "patinho feio", que nem sequer é capaz de apresentar correctamente muitos dos sites web do Google. Embora por outro lado, se possa olhar para isto como sendo o sinal perfeito de como o HTML, que deveria ser uma plataforma unificadora, pode igualmente sofrer de "fragmentação". É que os developers dos diferentes browsers (ou melhor dizendo, dos seus "rendering engines" - como o WebKit) muitas vezes implementam funcionalidades ainda experimentais e com prefixos específicos. Isto faz com que mesmo que outro browser seja capaz de realizar exactamente a mesma coisa, não reconhecerá o código e não será capaz de apresentar a página como seria desejado.
Neste momento, a maior parte da web está feita para o webkit, que é usado pelo Safari e - até há bem pouco tempo - também pelo Chrome. Mas com o Google a ter decido seguir num caminho separado de evolução do WebKit, para não ficar agarrado a muita da bagagem histórica que esse motor acumulava e ia complicado e atrasado o seu desenvolvimento, vai ser interessante ver se estaremos perante uma nova encruzilhada onde teremos sites que funcionam bem no Chrome e em mais nenhum browser... ou se esta oportunidade será aproveitada para nos trazer um HTML verdadeiramente unificador que todos possam apresentar da mesma forma.
Limitando-se a confirmar o óbvio, a proliferação de múltiplas plataformas de streaming com conteúdos exclusivos tem apenas servido para fomentar o regresso à pirataria. Depois das plataformas de streaming terem ajudado a reduzir a pirataria, assistimos agora a efeito contrário devido ao aparecimento de um número cada vez maior de plataformas, onde cada uma luta por manter o controlo sobre conteúdos exclusivos como forma de se diferenciar das demais. O problema é que, se a maioria das pessoas até estará disposta a pagar por um serviço de streaming (ou até dois ou três), inevitavelmente se chega a um ponto em que se dirá "basta". É precisamente essa a conclusão de um estudo sobre as plataformas de streaming e a pirataria . A grande maioria dos consumidores considera já estar a pagar demasiado pelos serviços de streaming, e mais de metade diz não estar disposto a pagar por qualquer outro serviço adicional. Talvez mais esclarecedor ainda, é que metade dos inquirido...