Parece que o declínio do mercado dos computadores "tradicionais", cada vez mais substituídos pelos tablets e smartphones, chegou a um ponto em que até a Intel já procura alternativas com mais futuro. E tal como muitos outros o fizeram (ou têm tentado fazer), a salvação parece estar na sala de estar dos milhões de pessoas por todo o mundo: a Intel quer criar um serviço de TV pela internet.
Conseguirá a Intel ter sucesso naquilo que ainda ninguém conseguiu dominar de forma clara? A Apple tem a sua Apple TV (e os rumores recorrentes de que estará a preparar televisões); o Google tem o Google TV que também ainda não parece ter conseguido ganhar volume suficiente para ser representativo; os principais fabricantes de televisores (Samsung, LG, Sony, etc.) apostam nas suas Smart TVs e também em serviços e canais exclusivos para os distinguir dos concorrentes... e agora teremos também a Intel.
Seja o que for que a Intel esteja a preparar, parece-me que apenas poderá ter hipóteses de sucesso se for um serviço que quebre algumas das barreiras que os outros ainda têm. Como por exemplo, ser um serviço que trate o mundo como um todo, e deite abaixo as fronteiras geográficas que fazem com que um espectador na europa não possa ver um programa norte-americano.
Se assim não for (com esta, ou outras novidades) não sei se haverá muita gente interessada a ter mais uma caixa na sua sala de estar, quando já lá tem consolas, as caixas do seu operador por cabo (que lhe fornece a internet com que poderia ver a televisão da Intel), e tudo o mais... representando custos acrescidos à já pesada factura paga pela internet e TV. Mesmo tendo um "Intel Inside", não me parece que a Intel tenha porta aberta para entrar nas nossas salas sem argumentos de peso que o justifiquem.
Limitando-se a confirmar o óbvio, a proliferação de múltiplas plataformas de streaming com conteúdos exclusivos tem apenas servido para fomentar o regresso à pirataria. Depois das plataformas de streaming terem ajudado a reduzir a pirataria, assistimos agora a efeito contrário devido ao aparecimento de um número cada vez maior de plataformas, onde cada uma luta por manter o controlo sobre conteúdos exclusivos como forma de se diferenciar das demais. O problema é que, se a maioria das pessoas até estará disposta a pagar por um serviço de streaming (ou até dois ou três), inevitavelmente se chega a um ponto em que se dirá "basta". É precisamente essa a conclusão de um estudo sobre as plataformas de streaming e a pirataria . A grande maioria dos consumidores considera já estar a pagar demasiado pelos serviços de streaming, e mais de metade diz não estar disposto a pagar por qualquer outro serviço adicional. Talvez mais esclarecedor ainda, é que metade dos inquirido...