Já nem vou falar no absurdo que continua a ser a divisão do planeta em "regiões", e que faz com que um português que desejasse comprar um filme ou revista americana não o possa fazer, por... "esse conteudo não está disponível na sua região". Uma situação que invariavelmente como consequência fazer com que essa pessoa decida ir procurar esses conteúdo a outras fontes... nem sempre moralmente as mais indicadas.
Vou é limitar-me ao que é perfeitamente legal: imaginemos que compram centenas de músicas, nestas lojas online, quer seja o iTunes da Apple ou o Google Play. Acumulam dezenas ou centenas de livros, revistas, séries, músicas e filmes....
E inveitavelmente, chegará um dia em que decidem trocar de plataforma, para outro equipamento - ou, menos provável mas igualmente inevitável, que tal "império digital se desmorone", e deixe de garantir o acesso a estes conteúdos "na cloud"... Será que se deve apostar em qualquer tipo de aquisição em formatos "proprietários" fechados numa única loja? Ainda para mais num mundo onde a cada meia dúzia de anos se está sujeito a que tudo dê uma reviravolta? (Há 6 anos atrás não havia App Stores, nem smartphones da forma que os conhecemos hoje - imaginar um smartphone sem teclas era considerado ridículo por muitos na altura - ou tablets práticos e acessíveis...)
Por Carlos Martins, de Aberto até de Madrugada
Quem nos garante que poderemos ver as revistas digitais que hoje compramos, no tablet "XPTO" que vier a surgir daqui por 4 ou 5 anos, numa plataforma completamente nova?
No caso de músicas e vídeos, por muito impraticável que seja imaginar o download de terabytes e a sua reconversão para outros formatos... ainda se pode considerar que é possível - embora profundamente ingrato. Mas quanto a conteúdos ditos "interactivos"... a não ser que sejam "HTML"... a coisa poderá ser bem mais complicada... em último caso obrigando a emuladores/conversores... ou - mais provavelmente - a ficarem obsoletos, esquecidos, e inacessíveis.
Outro caso que também terá que ser enfrentado, e cada vez mais à medida que a actual geração tecnólogica que a isto assiste vai envelhecendo, é: o que acontecerá a todos os conteúdos comprados por um utilizador... quando falecer? Será possível arranjar formas simples de transferir esses conteúdos para os seus "herdeiros" (partilhas digitais... vai ser bonito!)... ou será que as lojas digitais esperam que os seus utilizadores sejam imortais e que existam para sempre? (Nalguns casos, até imagino que possa ser vantajosos para os seus descendentes manter uma presença vitual online de alguém que já morreu, apenas para continuarem a ter acesso aos filmes, músicas, etc... que essa pessoa comprou.) Macabro? Talvez... mas parece-me que é coisa que terá que ser pensada... e quanto mais cedo, melhor!