Com a marcação de nova paragem – na semana passada a falta de fornecimento de uma peça para as portas dos automóveis obrigou a interromper a produção quinta-feira e sexta-feira –, ficam marcados 21 dias de "down days". Nos últimos quatro meses do ano, restaria apenas mais um dia de interrupção, caso fosse cumprida a letra do acordo de empresa. No entanto, já na semana passada a CT abriu a porta ao alargamento desta regra.
O representante dos trabalhadores da Autoeuropa, António Chora, afiança ao Negócios que esta paragem de uma semana "já não se verificava desde 2006 ou 2008, quando acabou a produção de um modelo da Sharan e ainda não havia o Eos".
Mas o que justifica esta interrupção prolongada? "Essencialmente, a situação que a Europa está a passar. Em Espanha,Itália e Chipre o consumo pode ter um retrocesso", explica Chora. "É jogar em antecipação face ao que pode acontecer", acrescenta. Também uma fonte oficial da fábrica da Volkswagen explica que "são as incertezas na Zona Euro" a motivar esta decisão de cariz preventivo.
A administração da Autoeuropa e a CT falam a uma só voz quando afirmam que a Volkswagen está a crescer a "nível global" e mantém a estimativa anual de produção em 10 milhões de viaturas. "Só a Europa está estagnada, com excepção da Alemanha que cresce", salienta Chora.
Também na manutenção dos cerca de 3600 postos de trabalho há confluência de ideias entre os trabalhadores e a direcção da unidade industrial. Aliás, António Chora avança: já houve outros anos em que "parámos 42 dias", diz. "Nesta altura, queremos manter os empregos e esperamos que a crise passe rapidamente", disse o coordenador da CT. Já fonte da empresa diz: não se pode "falar de aumentar o número de ‘down days’ enquanto não atingirmos o limite máximo". "Vamos ver o que se vai passar", sublinha.
A empresa desdramatiza a paragem de uma semana, enquadrando-a no regime de flexibilidade própria dos "down days", mas frisa que o plano de objectivos estabelecidos pela casa-mãe "não vai ser afectado". Apesar da fábrica de Palmela estar a exportar mais para a China, o peso da Europa nas vendas não permite não ser cuidadoso com as oscilações deste mercado.