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Uso constante das redes sociais reflete o surgimento do 'sujeito digital'


Passar quase o dia inteiro conectado às redes sociais digitais já foi considerado um vício, principalmente na época em que isso só era possível por meio de um computador. Quando o acesso à internet passou ser possível através de aparelhos celulares, smartphones e tablets, a mobilidade somada a necessidade de informação do cidadão moderno passou a trazer a questão: viver conectado é um vício ou representa um novo estilo de vida?
O especialista em redes sociais, Arnaldo Rocha, defende que o avanço tecnológico abriu espaço para um cidadão mais dinâmico e sedento por informações. “Hoje, o cidadão sofre um fenômeno chamado excedente cognitivo, em que existe a necessidade de acompanhar as informações de última hora. Temos mais de 350 milhões de sites, 150 milhões de tweets por dia, fenômenos que causam isso na gente”, explica.
Rocha revela que essa relação não ocorre apenas na forma digital e vai muito além do que se pode imaginar na questão física. “Quando obtemos um feedback numa rede social, nosso cérebro libera ocitocina, que é o hormônio da felicidade, o que diminui o stress e nos dá a sensação semelhante a de um abraço”, constata.
Para o especialista, o aumento de fatores determinantes para a mobilidade dos aparelhos vem a servir como incentivo para novos aderentes. “De um jeito ou de outro você se conecta. Antes, as ferramentas eram escassas, caras ou inacessíveis. Atualmente, você pode se conectar em qualquer ambiente”, comenta Arnaldo Rocha. 
A vantagem de escolher o horário de acesso e o assunto que se deseja também colabora para a massificação do acesso em qualquer momento, observa a psicóloga Fernanda Esteves. “O que leva a pessoa a se viciar é muito mais essa gama de informações, de divertimento. É mais gratificante que na vida real, quando é comum se deparar com notícias desagradáveis. Na internet você escolhe”, afirma.
Conectado nas redes sociais por meio de um smartphone durante quase o dia inteiro, o professor Sérgio Freire avalia o surgimento do “sujeito digital”. “A convergência e a mobilidade tiraram um pouco essa noção de vício, que era concebida no tempo do computador. Se a pessoa está conectada, é porque lá existe algo relevante para ela”, defende.
Para Freire, aderir às redes sociais de forma constante é cada vez mais inevitável, levando em consideração o momento de transição pelo qual a sociedade está passando. “Ou você vai ao encontro dessa nova realidade, ou de encontro a ela. É um caminho que não tem retorno, porque a sociedade se organiza em torno da rede”, analisa.
O resultado desse processo é o surgimento de uma geração que desde cedo vive conectada. A universitária Natália Wagner, 20, sequer lembra há quanto tempo utiliza as redes sociais. “Sempre mexi muito com computador por razões acadêmicas ou profissionais. Com a internet, é impossível não ficar on-line”, ressalta a estudante, que usa diariamente pelo menos cinco redes sociais diferentes.
Com a intensificação desse fenômeno, as empresas encontraram uma via importante para atrair clientes e divulgar produtos. No entanto, elas encontram espaço para ir além, conforme opina o coordenador da loja Bemol on-line, Márcio Lira. “Usamos o canal do facebook para nos relacionarmos com o cliente. É como se estivéssemos numa mesa de bar, levando em conta que podemos gerar novas relações antes de promover vendas”, compara.
A necessidade de estar conectado se tornou um fato, mas com margem para exageros, conforme alerta Sérgio Freire. “As relações sociais também não podem ter substituição para o real. É claro que também é preciso ter uma dosagem”, considera.

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